sexta-feira, 28 de março de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
Antes de Partir
Sempre, ao falar da morte, corre-se o risco de ser pieguas, ou cair em clichês. O filme "Antes de Partir" (The Bucket List) fala da morte, sem falar de morte. Fala da vida, em viver bem a vida. É um filme leve, para se ver nas boas tardes de domingo. Ele não chega a ser impressionante. E por isso mesmo é cativante.
Duas coisas me marcaram: o conceito da medida de uma vida ("sua vida foi tão importante quanto o número de pessoas que seguiram seu exemplo") e a música tema, que segue abaixo. Se assistir o filme, faça-o de coração aberto, dê espaço para a reflexão, e talvez você consiga responder às duas perguntas do céu egípcio.
Duas coisas me marcaram: o conceito da medida de uma vida ("sua vida foi tão importante quanto o número de pessoas que seguiram seu exemplo") e a música tema, que segue abaixo. Se assistir o filme, faça-o de coração aberto, dê espaço para a reflexão, e talvez você consiga responder às duas perguntas do céu egípcio.
Say
John Mayer
Composição: John Mayer
Take all of your wasted honor.
Every little past frustration.
Take all of your so called problems,
Better put 'em in quotations.
Say what you need to say (x8)
Walkin' like a one man army,
Fightin' with the shadows in your head.
Livin' up the same old moment
Knowin' you'd be better off instead
If you could only...Say what you need to say (x8)
Have no fear for givin' in.
Have no fear for giving over.
You better know that in the end
It's better to say too much, than never to say what you need to say again.
Even if your hands are shaking,
And your faith is broken.
Even as the eyes are closin',
Do it with a heart wide open.
(Wide Heart)
Say what you need to say (x7)
Say what you need to, Say what you need to...
Say what you need to say.
quarta-feira, 26 de março de 2008
O poder da compra
O que você compra faz o mundo que você vive - e vale mais que seu voto.
Estamos em um ano eleitoral, e claro, começam as campanhas "seu voto é importante para mudar o país". Mas, dentre os papéis que desempenhamos em sociedade (pai, mãe, professor, cidadão, telespectador), o mais importante é o de consumidor. Não quero dizer que o direito ao voto, pelo qual muitos lutaram e até morreram, seja secundário. Porém, com a estrutura social que vivemos hoje, a política é uma área desacreditada, principalmente porque as mudanças são lentas, dependentes de grandes modificações na mentalidade de toda uma geração de cidadãos. No entanto, o capitalismo exige um ciclo dinâmico de consumo. Para mantê-lo, os meios produtivos têm de ser flexíveis às alterações nos hábitos e desejos do consumidor, inclusive, para antecipá-los e inventá-los. Logo, o mercado está mais disponível para ouví-lo do que a política. E ainda (infelizmente), não existe procom para deputado com defeito ou com propaganda enganosa. Por isso devemos prestar atenção no que consumimos, porque isso direciona para onde vai o dinheiro, e com ele o fluxo do mercado. Poucas empresas estão preocupas com ideologia, e muitas com o lucro. Mas todas se preocupam com a satisfação do cliente. Então, se você desiste de comprar um diamante porque não sabe sua origem (o mesmo vale para madeira, granito, etc), a empresa perde compradores, até um ponto que acabe compensando só fornecer produtos com certificado de origem. Se você se rende aos baixos preços da pirataria, está derramando dinheiro nas mãos de sonegadores de impostos, proporcionando a lavagem de dinheiro do tráfico e da corrupção. Se você compra um brinquedo inseguro só porque está na moda, proporciona a proliferação de acidentes com crianças. E assim vai. Mesmo que a população esteja se tornando mais esclarecida quanto à manipulação através da propaganda, ainda usamos pouco nossa capacidade de escolher o mundo que queremos pelos produtos e serviços que adquirimos. Proteger o meio ambiente, a ética e a dignidade é resultado direto de quão consciente é a sua compra. Esteja atento e leve em conta o bem social, em vantagem às moedinhas que sobram no bolso (sendo que nem sempre é preciso pagar mais caro por algo idôneo).
Estamos em um ano eleitoral, e claro, começam as campanhas "seu voto é importante para mudar o país". Mas, dentre os papéis que desempenhamos em sociedade (pai, mãe, professor, cidadão, telespectador), o mais importante é o de consumidor. Não quero dizer que o direito ao voto, pelo qual muitos lutaram e até morreram, seja secundário. Porém, com a estrutura social que vivemos hoje, a política é uma área desacreditada, principalmente porque as mudanças são lentas, dependentes de grandes modificações na mentalidade de toda uma geração de cidadãos. No entanto, o capitalismo exige um ciclo dinâmico de consumo. Para mantê-lo, os meios produtivos têm de ser flexíveis às alterações nos hábitos e desejos do consumidor, inclusive, para antecipá-los e inventá-los. Logo, o mercado está mais disponível para ouví-lo do que a política. E ainda (infelizmente), não existe procom para deputado com defeito ou com propaganda enganosa. Por isso devemos prestar atenção no que consumimos, porque isso direciona para onde vai o dinheiro, e com ele o fluxo do mercado. Poucas empresas estão preocupas com ideologia, e muitas com o lucro. Mas todas se preocupam com a satisfação do cliente. Então, se você desiste de comprar um diamante porque não sabe sua origem (o mesmo vale para madeira, granito, etc), a empresa perde compradores, até um ponto que acabe compensando só fornecer produtos com certificado de origem. Se você se rende aos baixos preços da pirataria, está derramando dinheiro nas mãos de sonegadores de impostos, proporcionando a lavagem de dinheiro do tráfico e da corrupção. Se você compra um brinquedo inseguro só porque está na moda, proporciona a proliferação de acidentes com crianças. E assim vai. Mesmo que a população esteja se tornando mais esclarecida quanto à manipulação através da propaganda, ainda usamos pouco nossa capacidade de escolher o mundo que queremos pelos produtos e serviços que adquirimos. Proteger o meio ambiente, a ética e a dignidade é resultado direto de quão consciente é a sua compra. Esteja atento e leve em conta o bem social, em vantagem às moedinhas que sobram no bolso (sendo que nem sempre é preciso pagar mais caro por algo idôneo).
terça-feira, 18 de março de 2008
Seja voluntário!

Depois do silêncio, creio que o bem mais precioso que possuímos é o tempo. Todos temos milhares de compromissos, tarefas pendentes, festinhas, trabalhos, leituras, coisas "ad infinitum" para fazer. Fugimos da atividade física, porque "não tenho tempo"; da visita aos amigos porque "não tenho tempo"; e assim vai... Mas a grande maioria das pessoas que pertencem à classe que tem acesso a Web, receberam muito da sociedade, em forma de educação, prestígio, ou dinheiro. Por que não verter um pouco de volta a fonte, naqueles pedaços do terreno onde o deserto da ignorância só se alastra? Dinheiro não é suficiente para tornar a vida de uma pessoa melhor. Se ela não souber como empregá-lo adequadamente, as melhoras podem se tornar problemas. Conheço gente que trabalhou muito, melhorou de casa, carro, roupas, porém, não sabe cuidar da própria higiene. A educação está presente em todas as coisas que realmente fazem falta e é a solução para quase todos os males da Humanidade.
Ser voluntário é se doar, acima de tudo. No trabalho, dá pra reclamar do chefe, falar que puxaram seu tapete e tudo o mais. Quando se é voluntário, tudo está por fazer. E qualquer esforço sincero é bem-vindo. Então, para quem sempre quis e arruma um milhão de desculpas, vão aí algumas dicas:
O primeiro passo é escolher o que fazer. Existem milhares de coisas: ONGs com diversos perfis, ler para idosos em asilos, oferecer momentos de conversa e descontração para doentes em hospitais, reforço escolar, educação, coletar lixo reciclável, recolher livros ou alimentos para doação, estimular a doação de sangue e órgãos, entre muitos outros. Escolha algo que se ligue a fundo ao que você gosta. Por exemplo: se gosta de música, pode levar uma aula de artes com discussão de músicas, uma vez por semana que seja, a uma escola pública. Ou se você sempre quis aprender a desenhar, é um bom estímulo para aprender: você começa um curso, e depois passa o que aprendeu, mais devagar para outras pessoas. Se você não tem muita paciência ou estômago forte, não recomendo trabalhos em hospitais, pois costuma-se presenciar situações dolorosas emocionalmente e nada agradáveis aos sentidos. Claro que com algum esforço, tudo é possível. Se você não gosta do seu trabalho, faça algo completamente diferente dele; se gosta, faça algo que se aproxime, mas com outro foco. Exemplificando: se você trabalha com Marketing, você pode ajudar a divulgar o trabalho de uma ONG ou instituição fraterna, ajudando-a a arrecadar fundos. Se é marceneiro, mas gosta de cozinhar, ajude a fazer o sopão de alguma igreja, ou ensine jovens a cozinhar. Se é estudante, dê reforço escolar em uma vizinhança simples ou faça oficinas de leitura e ditado.
Procure os lugares que você gostaria de trabalhar, converse bastante (sempre haverá gente disposta a falar do trabalho), veja como é o esquema de trabalho, as regras, e medite qual opção se encaixa mais no seu perfil.
Escolhido o que e onde, medite bem antes de adquirir essa responsabilidade. Só porque você não é pago para realizá-lo, não quer dizer que você não tenha que levar o trabalho a sério. Quando se cria um compromisso com outras pessoas, gera-se expectativas, que machucam muito quando quebradas. Claro que todo mundo é capaz de entender um imprevisto ou uma fatalidade. Mas ter uma desculpa de uma para cada três vezes que você tem um trabalho é pura enganação. Sua. Porque se percebem que não podem contar com você, as pessoas não contam. Você é que vai ficar se enganando, se sentindo super útil ou se culpando por não cumprir o que prometeu. Leve a sério. Vale a pena.
Trabalho voluntário é uma terapia muito barata. Todos que conheço que fazem algum trabalho voluntário, mesmo que fortuito, trazem a auto-confiança e a satisfação de quem se sente realmente útil, de quem não veio ao mundo à passeio. Quando você doa seu tempo, atenção epaciência para outro ser humano, constrói -se um laço de amizade e confiança. Uma ponte sentimental que não te deixa se sentir sozinho. Mesmo que em breves momentos, proporcionar um alívio material, no sofrimento físico ou um sorriso a alguém tem um valor que nenhum metal brilhante é capaz de superar. Quem já experimentou, sabe do que estou falando.
O trabalho dignifica, em qualquer situação. E mudar o mundo é, para mim, uma questão de trabalho. Quase como se cada um de nós varresse a própria calçada, e quem sabe, um pedacinho da rua. Já mudaríamos a cara de todo o planeta.
Se nem com todos esses argumentos, você se convenceu das benesses do trabalho voluntário, não desanime. Se o tempo lhe falta, com certeza sobra alguma coisa na sua casa que pode ser doada a alguém (roupas, sapatos, cobertores, brinquedos), e que também pode fazer a diferença. Na pior das hipóteses, faça alguma coisa pelo menos uma vez por ano: ligue pro Criança Esperança!
Ser voluntário é se doar, acima de tudo. No trabalho, dá pra reclamar do chefe, falar que puxaram seu tapete e tudo o mais. Quando se é voluntário, tudo está por fazer. E qualquer esforço sincero é bem-vindo. Então, para quem sempre quis e arruma um milhão de desculpas, vão aí algumas dicas:
O primeiro passo é escolher o que fazer. Existem milhares de coisas: ONGs com diversos perfis, ler para idosos em asilos, oferecer momentos de conversa e descontração para doentes em hospitais, reforço escolar, educação, coletar lixo reciclável, recolher livros ou alimentos para doação, estimular a doação de sangue e órgãos, entre muitos outros. Escolha algo que se ligue a fundo ao que você gosta. Por exemplo: se gosta de música, pode levar uma aula de artes com discussão de músicas, uma vez por semana que seja, a uma escola pública. Ou se você sempre quis aprender a desenhar, é um bom estímulo para aprender: você começa um curso, e depois passa o que aprendeu, mais devagar para outras pessoas. Se você não tem muita paciência ou estômago forte, não recomendo trabalhos em hospitais, pois costuma-se presenciar situações dolorosas emocionalmente e nada agradáveis aos sentidos. Claro que com algum esforço, tudo é possível. Se você não gosta do seu trabalho, faça algo completamente diferente dele; se gosta, faça algo que se aproxime, mas com outro foco. Exemplificando: se você trabalha com Marketing, você pode ajudar a divulgar o trabalho de uma ONG ou instituição fraterna, ajudando-a a arrecadar fundos. Se é marceneiro, mas gosta de cozinhar, ajude a fazer o sopão de alguma igreja, ou ensine jovens a cozinhar. Se é estudante, dê reforço escolar em uma vizinhança simples ou faça oficinas de leitura e ditado.
Procure os lugares que você gostaria de trabalhar, converse bastante (sempre haverá gente disposta a falar do trabalho), veja como é o esquema de trabalho, as regras, e medite qual opção se encaixa mais no seu perfil.
Escolhido o que e onde, medite bem antes de adquirir essa responsabilidade. Só porque você não é pago para realizá-lo, não quer dizer que você não tenha que levar o trabalho a sério. Quando se cria um compromisso com outras pessoas, gera-se expectativas, que machucam muito quando quebradas. Claro que todo mundo é capaz de entender um imprevisto ou uma fatalidade. Mas ter uma desculpa de uma para cada três vezes que você tem um trabalho é pura enganação. Sua. Porque se percebem que não podem contar com você, as pessoas não contam. Você é que vai ficar se enganando, se sentindo super útil ou se culpando por não cumprir o que prometeu. Leve a sério. Vale a pena.
Trabalho voluntário é uma terapia muito barata. Todos que conheço que fazem algum trabalho voluntário, mesmo que fortuito, trazem a auto-confiança e a satisfação de quem se sente realmente útil, de quem não veio ao mundo à passeio. Quando você doa seu tempo, atenção epaciência para outro ser humano, constrói -se um laço de amizade e confiança. Uma ponte sentimental que não te deixa se sentir sozinho. Mesmo que em breves momentos, proporcionar um alívio material, no sofrimento físico ou um sorriso a alguém tem um valor que nenhum metal brilhante é capaz de superar. Quem já experimentou, sabe do que estou falando.
O trabalho dignifica, em qualquer situação. E mudar o mundo é, para mim, uma questão de trabalho. Quase como se cada um de nós varresse a própria calçada, e quem sabe, um pedacinho da rua. Já mudaríamos a cara de todo o planeta.
Se nem com todos esses argumentos, você se convenceu das benesses do trabalho voluntário, não desanime. Se o tempo lhe falta, com certeza sobra alguma coisa na sua casa que pode ser doada a alguém (roupas, sapatos, cobertores, brinquedos), e que também pode fazer a diferença. Na pior das hipóteses, faça alguma coisa pelo menos uma vez por ano: ligue pro Criança Esperança!
domingo, 9 de março de 2008
Dia Internacional da Mulher

No tal Dia Internacional da Mulher, li diversas reclamações sobre a inutilidade de se ter um dia para homenagear as mulheres. Que deveriam ser criados o "Dia Internacional do Homem" e blá, blá, blá.
O que as pessoas esqueceram é que esses dias de homenagem às minorias servem para lembrar que uma sociedade justa é aquela que guarda pelo direito de todos os cidadãos, sem diferenciá-los. Exultar a diferença para promover a igualdade? É, é isso mesmo. Por mais que as pessoas das classes mais intelectualizadas acreditem que já é desnecessário lembrar a opressão feminina ocorrida no passado, o país tem uma cultura muito heterogênea. Temos ainda grandes faixas de nosso território intelectual ocupados pelo machismo. Em alguns meios, ele é sutil, embutido nas piadas sobre a incapacidade feminina em fazer balizas. Em outros, vemos mulheres chefes de família ganhando 60% ou 70% do salário de um homem, para exercer a mesma função; a coação sexual de chefes sobre suas subalternas. É primitivo, mas existe com muita força.
Nas Ciências Exatas, por exemplo, o mito da "inaptidão natural" das mulheres para os números permanece incólume, cochichado nos corredores. Mesmo que na graduação ou pós-graduação as mulheres sejam tratadas com igualdade, no ensino fundamental e médio, as meninas não são estimuladas a se apaixonarem pela Ciência, pela Matemática. Afinal, se existe a amarra cultural, nenhum lugar é melhor que a escola para soltá-la. Por isso deveriam existir mais professores como Randy Pausch, cuja emocionante história de (fim de) vida chamou atenção para o seu contínuo trabalho em estimular meninas a aprender programação.
Então, homenagear as mulheres realmente vai além dos cartõezinhos-clichê e das rosas murchas. Está em tratar igual, dar oportunidades iguais, sem fazer alarde disso.
Nas Ciências Exatas, por exemplo, o mito da "inaptidão natural" das mulheres para os números permanece incólume, cochichado nos corredores. Mesmo que na graduação ou pós-graduação as mulheres sejam tratadas com igualdade, no ensino fundamental e médio, as meninas não são estimuladas a se apaixonarem pela Ciência, pela Matemática. Afinal, se existe a amarra cultural, nenhum lugar é melhor que a escola para soltá-la. Por isso deveriam existir mais professores como Randy Pausch, cuja emocionante história de (fim de) vida chamou atenção para o seu contínuo trabalho em estimular meninas a aprender programação.
Então, homenagear as mulheres realmente vai além dos cartõezinhos-clichê e das rosas murchas. Está em tratar igual, dar oportunidades iguais, sem fazer alarde disso.
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