
Depois do silêncio, creio que o bem mais precioso que possuímos é o tempo. Todos temos milhares de compromissos, tarefas pendentes, festinhas, trabalhos, leituras, coisas "ad infinitum" para fazer. Fugimos da atividade física, porque "não tenho tempo"; da visita aos amigos porque "não tenho tempo"; e assim vai... Mas a grande maioria das pessoas que pertencem à classe que tem acesso a Web, receberam muito da sociedade, em forma de educação, prestígio, ou dinheiro. Por que não verter um pouco de volta a fonte, naqueles pedaços do terreno onde o deserto da ignorância só se alastra? Dinheiro não é suficiente para tornar a vida de uma pessoa melhor. Se ela não souber como empregá-lo adequadamente, as melhoras podem se tornar problemas. Conheço gente que trabalhou muito, melhorou de casa, carro, roupas, porém, não sabe cuidar da própria higiene. A educação está presente em todas as coisas que realmente fazem falta e é a solução para quase todos os males da Humanidade.
Ser voluntário é se doar, acima de tudo. No trabalho, dá pra reclamar do chefe, falar que puxaram seu tapete e tudo o mais. Quando se é voluntário, tudo está por fazer. E qualquer esforço sincero é bem-vindo. Então, para quem sempre quis e arruma um milhão de desculpas, vão aí algumas dicas:
O primeiro passo é escolher o que fazer. Existem milhares de coisas: ONGs com diversos perfis, ler para idosos em asilos, oferecer momentos de conversa e descontração para doentes em hospitais, reforço escolar, educação, coletar lixo reciclável, recolher livros ou alimentos para doação, estimular a doação de sangue e órgãos, entre muitos outros. Escolha algo que se ligue a fundo ao que você gosta. Por exemplo: se gosta de música, pode levar uma aula de artes com discussão de músicas, uma vez por semana que seja, a uma escola pública. Ou se você sempre quis aprender a desenhar, é um bom estímulo para aprender: você começa um curso, e depois passa o que aprendeu, mais devagar para outras pessoas. Se você não tem muita paciência ou estômago forte, não recomendo trabalhos em hospitais, pois costuma-se presenciar situações dolorosas emocionalmente e nada agradáveis aos sentidos. Claro que com algum esforço, tudo é possível. Se você não gosta do seu trabalho, faça algo completamente diferente dele; se gosta, faça algo que se aproxime, mas com outro foco. Exemplificando: se você trabalha com Marketing, você pode ajudar a divulgar o trabalho de uma ONG ou instituição fraterna, ajudando-a a arrecadar fundos. Se é marceneiro, mas gosta de cozinhar, ajude a fazer o sopão de alguma igreja, ou ensine jovens a cozinhar. Se é estudante, dê reforço escolar em uma vizinhança simples ou faça oficinas de leitura e ditado.
Procure os lugares que você gostaria de trabalhar, converse bastante (sempre haverá gente disposta a falar do trabalho), veja como é o esquema de trabalho, as regras, e medite qual opção se encaixa mais no seu perfil.
Escolhido o que e onde, medite bem antes de adquirir essa responsabilidade. Só porque você não é pago para realizá-lo, não quer dizer que você não tenha que levar o trabalho a sério. Quando se cria um compromisso com outras pessoas, gera-se expectativas, que machucam muito quando quebradas. Claro que todo mundo é capaz de entender um imprevisto ou uma fatalidade. Mas ter uma desculpa de uma para cada três vezes que você tem um trabalho é pura enganação. Sua. Porque se percebem que não podem contar com você, as pessoas não contam. Você é que vai ficar se enganando, se sentindo super útil ou se culpando por não cumprir o que prometeu. Leve a sério. Vale a pena.
Trabalho voluntário é uma terapia muito barata. Todos que conheço que fazem algum trabalho voluntário, mesmo que fortuito, trazem a auto-confiança e a satisfação de quem se sente realmente útil, de quem não veio ao mundo à passeio. Quando você doa seu tempo, atenção epaciência para outro ser humano, constrói -se um laço de amizade e confiança. Uma ponte sentimental que não te deixa se sentir sozinho. Mesmo que em breves momentos, proporcionar um alívio material, no sofrimento físico ou um sorriso a alguém tem um valor que nenhum metal brilhante é capaz de superar. Quem já experimentou, sabe do que estou falando.
O trabalho dignifica, em qualquer situação. E mudar o mundo é, para mim, uma questão de trabalho. Quase como se cada um de nós varresse a própria calçada, e quem sabe, um pedacinho da rua. Já mudaríamos a cara de todo o planeta.
Se nem com todos esses argumentos, você se convenceu das benesses do trabalho voluntário, não desanime. Se o tempo lhe falta, com certeza sobra alguma coisa na sua casa que pode ser doada a alguém (roupas, sapatos, cobertores, brinquedos), e que também pode fazer a diferença. Na pior das hipóteses, faça alguma coisa pelo menos uma vez por ano: ligue pro Criança Esperança!