terça-feira, 25 de novembro de 2008

2019

Inpirada pelo filme "Blade Runner", escrevi um quase-poema sobre minha visão do futuro:

plus eleven years

more people
less water
more noise
less fresh air
more cars
less trees
more violence
less farmers
more guns
less animals
more old people
less children
more buildings
less fields
more religions
less dialogue
more drugs
less childhood

no flying cars
no magic hair dryers (or not?)
no robots human-like

still there will be
art
friendship
architecture
remote controls
(I hope so)

'Cause it will get worst
Before it gets better.

sábado, 15 de novembro de 2008

Violência

A estupidez é infinitamente mais fascinante que a inteligência; a inteligência tem o seu limites, a estupidez não tem limites (Indira Gandhi)

Todo dia sofremos violência: a de controlar o horário de sair às ruas; de ver injustiças sendo feitas descaradamente; de recebermos informação editada e manipulada. Tão pequenas, que nós acostumamos, aceitamos e em alguns casos, até as defendemos. Mas, obviamente, a violência física continua sendo a mais cruel. Talvez porque atinja sempre os mais fracos, como crianças, mulheres e idosos, cuja tutela de proteção não é realmente tomada pela sociedade. Talvez porque o fato de ela existir seja um contrasenso diante de toda a evolução intelectual que a Humanidade conquistou. Talvez, porque em algum momento de nossas vidas, acreditamos que ela pudesse ser solução para algum problema.

Violência gera Violência. Gentileza gera Gentileza. Evoluir não é só ter capacidade de construir prédios maiores, mas pessoas melhores.

Cito aqui a ASTI (Acid Survivors Trut International) que me chocou essa campanha publicitária, ajudando às pessoas enxergarem de mais perto o sofrimento das outras.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Beleza

Claro que beleza é um conceito controverso, que se modificou com o passar dos séculos e que possui raízes no instinto básico reprodutivo do ser humano. No entanto, fico muito preocupada quando me deparo com coisas como isso. Ou isso. As pessoas estão sendo "coisificadas" a tal ponto que, se não cabem em uma certa forma, são desleixadas, feias, etc. Como se cumprir o padrão atual de beleza fosse uma obrigação moral. Não que a moda não deva ser apreciada, ou que as academias devem ser fechadas. Mas tudo tem que visar o bem-estar, a saúde. O que tem acontecido é uma pressão social tão grande, que as pessoas estão distorcendo a auto-imagem, massacrando a auto-estima.
Essa cobrança de estar sempre belo exclui até o envelhecimento, fato comum da vida, transformado em doença, que deve ser combatido infatigavelmente. Pessoas que se sentem atraídas por modelos alternativos de beleza são tidos como aberrações. A imagem se tornou mais um bem de consumo, vendido descaradamente, enchendo os bolsos de indústrias cosméticas pelo mundo. Tenho medo por essa nova geração que passa pela adolescência não como um ser em construção, que pode errar tentando caminhos, mas que tem um padrão exato de comportamento e aparência esperados.
A humanidade é diversa. De formas e conteúdos. E cada uma delas tem beleza, tem encantamento. Ignorar a diversidade é ignorar que nos faz melhor: a diferença, que incrementa a compreensão, aceitação e aprendizado mútuo. Desenvolver o caráter, cultivar a saúde física e mental, isso sim é um bom investimento.

As mulheres, mais atingidas por essa psicose coletiva, devem se lembrar que são seres geradores de vida, não frutas e nem cabides de roupas.

Como diz o vídeo, converse com sua filha, antes que a indústria da beleza o faça.

domingo, 7 de setembro de 2008

Necessária utopia


Tenho percebido que a grande maioria das pessoas, querendo ser mais práticas, têm tentado amputar a capacidade de sonhar de suas mentes. Muitos confundem uma vida sem sonhos com uma vida "real", mas na verdade é apenas um tentativa inútil de evitar decepções. Elas ocorrem frequentemente, com todo mundo. Uma vez me ensinaram que muitas coisas que achamos ruins, são boas, na verdade. A desilusão é uma delas. Se nos decepcionamos, na grande maioria das vezes, é porque nos iludimos, e a decepção é só a náusea de voltar à realidade. Como quando você levanta rápido demais.
Ter objetivos não é a mesma coisa que ter sonhos. Objetivos têm de estar pautados na realidade, raciocínio, planejamento, viabilidade, etc. Os sonhos, não. Graças à Deus. Sonhar é como seguir uma pipa colorida no meio do deserto. Não importa o quanto consiga caminhar naquela direção. Quando você parar, tendo chegado ou não, vou vai ter certeza que está mais perto da pipa do que quando começou. Tem um poema que diz exatamente isso, só que em outras palavras (infelizmente não consegui encontrá-lo - crianças o google não sabe tudo!)... Algo como "a única função dos sonhos é de nos fazer caminhar".
Já vi pais dizendo coisas horríveis aos filhos, desqualificando completamente um indivíduo a partir de uma pequena ação. Muitos criticam duramente, argumentando que isso é uma obrigação de pai, "pois eles têm que estar preparados para o virá do mundo". Uma coisa é mundo não acreditar em você. Outra coisa são as pessoas que você mais confia, que toma como modelo, minarem sua auto-confiança, apagando as primeiras tentativas mal-sucessedidas em algo.
Não encare os sonhos alheios como divagações inúteis. Não faça críticas cruéis. Afinal, mesmo a verdade, sem amor, não passa de um gesto de crueldade. Aconselhe, e isso é bom. Um conselho usufruído é mais que um erro evitado, é uma ponte entre duas vivências.
E sempre, sempre, cultive sonhos. Um jardim lindo e variado, nem que seja só para perfumar sua janela no amanhecer.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Preconceito

"Preconceitos são as correntes forjadas pela ignorância para manter os homens separados"

Condessa de Blessington

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Escola pública


Eu sempre estudei em escola pública. Não posso dizer que foi uma escolha, já que nunca pude pagar por educação privada. Porém, detesto quando as pessoas simplesmente dizem que o ensino está falido, quando nem sabem do que estão falando. Claro que existem casos bizarros de alunos batendo ou ameaçando professores, mas há muita gente lutando para que as próximas gerações tenham o mínimo de conhecimento exigido nesses novos tempos.
Eu tive muita experiência com professores cansados, desanimados, nem sempre pacientes, às vezes preconceituosos, mas que cumpriam o programa de aula, na maior parte do tempo, só com cuspe e giz. No entanto, alguns lutadores, tentavam inspirar, fazer crescer aquelas sementes, e realmente se esforçavam em ensinar. Muitas crianças não iam em frente não porque a escola fosse ruim ou os professores incompetentes. Mas porque as condições de vida, ou mesmo escolhas, fizeram-nas seguir outros caminhos. A escola é sumamente importante. Porém, nunca substituirá a família na educação e formação do indivíduo.
E é bom saber que a escola pública não tem perdido tanto assim. Nessa reportagem, a revista Época mostra que, quando a comunidade e os pais não desistem da escola, não apenas esperam dela, mas a apóiam, tudo pode melhorar incrivelmente.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Eleição

Em poucos dias, começa a propaganda eleitoral obrigatória. Ninguém gosta de assistir, porque é realmente muito chato. Mas assista, pelo menos uma vez. Se você vai votar, o mínimo que pode fazer é saber mais sobre quem você escolheu. Ou, se ainda está em dúvida, avaliar os candidatos e escolher um razoável é melhor que anular ou votar em branco. Os políticos são picaretas, mas ainda tenho esperança em alguns. E fuja dos "amigos dos meus amigos", "ele tem cara de honesto", e por aí vai. Na minha cidade são comuns os escambos por votos. Isso é triste. Pena que as pessoas normalmente não sabem que o "voto de cabresto" é errado, e que, votando com livre-arbítrio, não há como o voto ser identificado. Se você não gosta do país que vê, preste mais atenção em quem você escolhe para tomar decisões no seu lugar.

Tira de Rafael Sica - 19/08/2008

terça-feira, 15 de julho de 2008

Leis arbitrárias

Como temos a famosa cultura do "jeitinho", não costumamos nos preocupar muito com nossas leis, já que obedecê-las é uma questão de conveniência, não de cidadania. Vai aqui uma alerta: estamo cercados de leis arbitrárias, que não são combatidas porque a simples maioria de nós nem sabe que elas existem, pois sua aplicabilidade está sujeita a quanto dinheiro você pode pagar para se safar delas. (Vide os casos Daniel Dantas, Sérgio Naya, etc, etc ).
Bom, estão querendo criar mais uma, e devemos fazer o possível para evitá-la. Para aqueles que trabalham com meios digitais, certamente, a nova Lei Azeredo trará muitos problemas. Através dela, vão saber tudo que você faz ou deixa de fazer na Web, mesmo que seja legal. E como o texto da lei é ambíguo, não há como evitar que evoluamos para um 1984 cibernético. Essa aberração tem sido bem divulgada pela Web afora, mas a população não está sendo bem informada.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Enquanto houver sol

OK, eu não quero transformar esse espaço em mais um daqueles "letras de música" blogs. Mas, esses últimos dois meses pra mim têm sido muito difíceis. Como estava com saudade de postar algo aqui, vou postar a única idéia que tem passado pela minha cabeça essas dias:

Enquanto Houver Sol

Titãs

Composição: Sérgio Britto

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida...

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós
Algo de uma criança...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho...

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós
Onde Deus colocou...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...(3x)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Livros on demand


Uma tendência do mercado em geral tem sido a entrega on demand de produtos. Isso significa estoque zero (na maioria dos casos), ou mínimo. As fármacias já fazem isso há algum tempo, repondo os produtos direto na prateleira, sem ter que arcar com custos de gerenciar e manter estoques. Antes disso, além de todo o custo envolvido com validade, espaço físico, transporte, etc, ainda existiam os roubos "internos", cujo preço final costumava ser rateado entre os funcionários diretamente envolvidos.
Mas o que me surpreendeu mesmo, foi este artigo do New York Times. Achando que ia ler algo sobre um grande escritor (dada a manchete), e sobre o novo mercado de edição de livros sob demanda, acabei chegando em um organizador (que é o que ele faz, na verdade), que emprega uma equipe de programadores que escrevem coletores de dados na Web para montar livros sob demanda, de acordo com o interesse do cliente. Os livros já "montados" são divulgados para a venda, e quando alguém compra, aí que são realmente impressos. Devastadoramente moderno. E bem melhor que o povo que "monta" dissertações, monografias e trabalhos como profissão, engrossando as fileiras da corrupção.
Algo parecido, em termos de distribuição, já vinha sendo feito pela maior biblioteca pública de New York City, que imprime livros para os usuários, ao invés de emprestá-los. Basta que o título pertença à Open Content Alliance na Web (que conta com cerca de 200 mil livros), e seja levado à biblioteca em um dispositivo digital. E isso tudo de graça.
Aliás, falando em leitura, a Austrália também dá exemplo. Dizem que por lá você tem livros disponíveis nos ônibus. Pena que eu enjôo...

Ciberdesabrigados


Nunca pensei que fosse ver isso, mas tá aí, existe: ciberdesabrigado. No Japão, por seu conhecido altíssimo custo de vida, surgiu um nova classe social. Eles trabalham, mas não têm dinheiro suficiente para manter uma casa. Então, eles alugam pequenos cubículos em lanhouses 24 horas (por cerca de R$1,60/h) e dormem lá. Algumas oferecem, inclusive, banho quente. A coisa tá tão feia (cerca de 2 mil pessoas, só em Tóquio) que o governo resolveu intervir e está criando um abrigo para eles. E viva a modernidade!

Terremoto em São Paulo

Comentário batidíssimo, eu sei, mas tenho que falar: Só faltava isso no Brasil!

O povo do blog Pensar Enlouquece me fez rir muito com as piadas deste post sobre o terremoto. Aproveitem!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Ainda sobre novelas...

Para alguns que acreditam que as novelas da Globo só trazem coisas ruins, acreditem: as novelas ajudaram a diminuir a taxa de natalidade no Brasil. Pelo menos é o que diz essa pesquisa inglesa divulgada pela BBC. Eles ainda citam como exemplo a grande influência que as novelas possuem na escolha de nomes, construindo gerações de pessoas com nomes de personagens de novela (isso foi estrago. Fora a moda das roupas, claro ;) ).



Boa surpresa

"Uma vida é muito tempo pra cultivar desamor".

Incrivelmente, tirada da novela das 6, Desejo Proibido. Pois é... Sanidade até em novela.

Trabalho

A distância entre o comum e o excepcional é de apenas um degrau: trabalho. Mas as pessoas tendem a aumentar essa distância, criando mais um degrau: inveja.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Aumento das bolsas X verba de gabinete

Para resumir minha indignação, recebi uma mensagem pública do Ministro da Ciência tentando explicar o porquê do não aumento das bolsas de fomento (Capes e CNPq). Se você tiver estômago para blá blá blá, segue abaixo a carta na íntegra. No entanto, se não há dinheiro para quem pesquisa e estuda, para a farra dos deputados, parece que não falta: a verba de gabinete passou para 60 mil reais por deputado. Em um país em que não há regulação externa do Poder Legislativo (financeira, diga-se de passagem; sou contra ditadura e censura), tudo vira bagunça mesmo. Me sinto sustentando uma multidão de vagabundos, que depois se sentem no direito de tomar o meu tempo nas campanhas políticas, mentindo com a cara mais lavada do mundo.
Aliás, nunca acreditem em campanha política, seja de quem for. Se aparece uma escola, um posto de saúde, pode ter certeza que eles até existem, mas foram pintados, cenografados, as crianças arrumadas (com uniformes e mochilas de produção de moda), os depoimentos roteirizados e tudo mais que puder ser maquiado e manipulado.

Enfim, no Brasil mais uma vez:

CIDADÃO 0 X CORRUPÇÃO 1
Caro bolsista,

Compreendo a sua justa frustração pelo fato de não ter-se concretizado o aumento nos valores das bolsas do CNPq e Capes de mestrado e de doutorado no mês março do corrente ano , conforme havia sido anunciado em novembro de 2007.
A proposta de aumento dos valores das bolsas foi feita pelo MCT em outubro passado, diante da clara percepção de que os valores estavam defasados e que seu aumento é uma das condições para atrair talentos
para os programas de pós-graduação no País. Naquela época, finalizávamos os trabalhos de elaboração do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação 2007-2010 e a proposta de aumento foi aprovada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a tornou pública durante o anúncio do PACTI.
No entanto, como é do seu conhecimento, o Congresso Nacional rejeitou o projeto de lei para manter a CPMF, o que acarretou a redução da receita em cerca de R$ 40 bilhões este ano. Além disso, como também é de conhecimento geral, somente no último mês de março o Congresso aprovou o Orçamento da União para este ano. Por lei, até a aprovação do orçamento, o Governo Federal só pode despender por mês um duodécimo do ano anterior. Para agravar o quadro, o Congresso reduziu o orçamento do CNPq em cerca de 10% em relação ao valor que constava do projeto de lei do orçamento enviado pelo Executivo. Tais esclarecimentos tornam-se necessários para mostrar não ter sido o Governo Federal o principal responsável pelo fato de os valores das bolsas não terem aumentado em março.
Quero reafirmar o compromisso de efetivar o mais breve possível os reajustes dos valores das bolsas. Para tanto, o MCT e o MEC estão em entendimentos com a área econômica do Governo visando a ampliação dos
orçamentos do CNPq e da CAPES.
O aumento dos valores e do número de bolsas faz parte da estratégia do Governo Federal de acelerar os investimentos em C&T como forma de consolidar o processo de desenvolvimento do País. A atenção do Governo com a área de C&T reflete-se na evolução dos recursos a ela destinados nos últimos cinco anos, conforme alguns números que gostaria de mencionar: O orçamento executado em 2002 do Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico ( FNDCT) foi de aproximadamente R$ 350 milhões. Esse valor aumentou continuamente nos anos seguintes, atingindo em 2007 cerca de R$ 1,5 bilhão. Por outro lado, em 2002 o total dos investimentos federais em C&T foi da ordem de R$ 6,52 bilhões. A partir de 2003 os indicadores revelam investimentos crescentes na seguinte ordem: 2003- R$ 7,392 bilhões; 2004- R$ 8,688 bilhões; 2005- R$ 9,570 bilhões, chegando em 2006 a R$ 11,049 bilhões. Os números finais do ano passado ainda não foram concluídos, mas seguramente vão demonstrar grande incremento dos recursos aplicados em C&T pelo Governo Federal. Por último, gostaria de lembrar também que os níveis insatisfatórios dos atuais valores nas bolsas de pós-graduação decorrem do fato de que ficaram praticamente congelados durante muito tempo, uma vez que desde 2002 o seu reajuste foi de 35%.

Cordiais saudações,

Sergio Machado Rezende
Ministro da Ciência e Tecnologia
ministro@mct.gov.br

Salvem o papel toalha!

Tudo bem , eu confesso: sou meio chata com coisas relacionadas a desperdício. Luzes acesas em cômodos vazios, torneiras abertas esperando escovar os dentes, folhas impressas só de um lado, etc. Mas tem gente que simplesmente não tem noção. Hoje quase "tive" um enfarto vendo um cara secar as mãos. A maioria das pessoas dá aquela sacudida "básica" (que às vezes acerta o vizinho com a água - como diria minha mãe: "Pára de sacudir as asas galinha!") e usa de duas a três folhas para secar as mãos. O assassino de Mata Atlântica saiu com as mãos ensopadas da pias e partiu loucamente para o suporte do papel toalha. Ele puxava tantas folhas e embolava, que parecia que não ia acabar nunca! Pelo que contei, ele pegou pelo menos nove folhas (NOVE folhas!) de papel. Um absurdo. Deixo aqui o meu apelo: salvem o papel toalha! E os guardanapos, folhas de sulfite (use rascunhos de impressão, ao invés de folhas limpinhas, please!), formulários contínuos, copos descartáveis, entre tantos materiais que demandam tantos recursos naturais para serem produzidos. Podem até ser renováveis, mas não sem custo para o meio ambiente.
E quem acredita que esse é um problema pequeno (e acredito que pequenos atos, repetidos por bilhões de pessoas realmente fazem diferença na escala global), a agência de propaganda Saatchi & Saatchi, da Dinamarca, criou esse porta papel para alertar sobre desperdício de recursos naturais.

Posts relacionados:
O poder da compra

terça-feira, 15 de abril de 2008

Nunca desista!

Falar de suicídio é falar em tabu. Algo que deve ser sussurrado. Como se 99% das pessoas não tiveram vontade de desistir de viver pelo menos uma vez. É uma situação de desespero, em que a pessoa acha que não existe saída. Às vezes algumas pessoas tentam ajudar, mas dificilmente conseguem se colocar no lugar do outro. Se você conhece alguém que está nessa situação, não tente diminuir os problemas dela, como se eles não existissem, pois isso fechará as portas dela para seus conselhos. O principal é mostrá-la que ela não está sozinha, que existem pessoas em quem ela pode confiar, e que sofrerão com sua partida. Como muito bem descrito nessa reportagem do portal UOL, os mecanismos que envolvem o suicídio são complexos, mas qualquer ajuda é sempre bem-vinda ao suicida. Principalmente um bom par de ouvidos.
Àqueles que estão passando por um momento difícil, deixo a frase que o personagem do Tom Hanks no filme "Náufrago" diz quando se refere a ter resistido ao suicídio: "Eu decidi viver todos os dias que eu pudesse, porque afinal, nunca se sabe o que a maré pode trazer" (Para aqueles que não viram o filme, ele consegue escapar da ilha construindo uma jangada com uma sucata que chegou com a maré alta). O dia que nascerá amanhã, poderá ser ruim, mas tem pelo menos 50% de chance de ele ser melhor do que hoje.
PS.: Buscando um site sobre o filme, encontrei uma música que cabe muito nesse assunto, aqui.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

; (ponto-e-vírgula)

s.g. símbolo de pontuação mais importante para quem usa linguagens de programação. Você sempre sente falta dele depois de meia hora procurando um erro mal-descrito de compilação :D

terça-feira, 8 de abril de 2008

Mania

s.f. Coisa que você quer feita, em um dado momento, de um dado jeito, e todos à sua volta sabem que não é necessário.

Um dia sem um abraço



Desde que me mudei da casa da minha mãe, percebi como algumas pequenas coisas fazem falta. Uma comida com carinho, lençóis cheirosos trocados sem nenhum motivo, um colinho estratégico. Sou muito cinestésica, logo, o contato físico com outras pessoas é algo muito importante no meu dia-a-dia. Nunca imaginei que pudesse ficar um dia sem um abraço (o que nunca acontece com estou na casa da minha mãe), mas descobri que isso pode ser muito comum. Ontem tive um dia normal, encontrei com várias pessoas conhecidas, mas ninguém próximo o suficiente para abraçar. Graças à Deus isso não acontece todos os dias. Porém, isso me fez pensar em quantas pessoas passam pelo mesmo, com uma perspectiva diferente da minha. Por mais que me ressinta por passar um dia sem um abraço, olhei à minha volta e vi quantas pessoas têm uma vida em que o contato próximo com alguém é exceção, não regra, mesmo que esparsa. É muito triste ver as pessoas, principalmente nas grandes cidades, perderem o sentido de humanidade, de compaixão e caridade. Nas pequenas cidades, mesmo que não haja contato físico, as pessoas criam um cinturão de convivência, já que todos à sua volta a conhecem há muitos anos, e vice-versa. Assim, a segurança emocional, tão necessária ao ser humano, fica preservada. Aqui, nos envergonhamos de nos apresentar aos vizinhos, não queremos recorrer a eles, para não incomodá-los. Viúvos, solteiros, idosos, obrigatoriamente passando de sozinhos à solitários, isolados. E assim, vamos virando ilhas, contrariando toda a essência humana, de sociedade e interação.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Leitura - alimento para a alma


A escrita é, desde os tempos mais remotos, o veículo essencial para registro e aprendizado do conhecimento. Tanto que é o marco que divide a História e a Pré-História da Humanidade. Fico feliz em ver que todos estão lendo mais, inclusive por causa da Web. Pena que agora a maioria escreva com pouco ou nenhum cuidado com a língua. Espero que isso melhore algum dia ;)
Uma amiga, doutoranda em Letras, criou um site para discutir e estimular a leitura. No Lê! Tras Cultura existem textos de autores conhecidos e de outros leitores contando suas experiências de leitura. Se você tiver interesse em enviar um texto para ser publicado, entre em contato com a equipe do site. A minha contribuição fala sobre minha paixão pelos livros e como conheci Ítalo Calvino, grande escritor italiano.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Antes de Partir


Sempre, ao falar da morte, corre-se o risco de ser pieguas, ou cair em clichês. O filme "Antes de Partir" (The Bucket List) fala da morte, sem falar de morte. Fala da vida, em viver bem a vida. É um filme leve, para se ver nas boas tardes de domingo. Ele não chega a ser impressionante. E por isso mesmo é cativante.
Duas coisas me marcaram: o conceito da medida de uma vida ("sua vida foi tão importante quanto o número de pessoas que seguiram seu exemplo") e a música tema, que segue abaixo. Se assistir o filme, faça-o de coração aberto, dê espaço para a reflexão, e talvez você consiga responder às duas perguntas do céu egípcio.

Say

John Mayer

Composição: John Mayer

Take all of your wasted honor.
Every little past frustration.
Take all of your so called problems,
Better put 'em in quotations.

Say what you need to say (x8)

Walkin' like a one man army,
Fightin' with the shadows in your head.
Livin' up the same old moment
Knowin' you'd be better off instead

If you could only...Say what you need to say (x8)

Have no fear for givin' in.
Have no fear for giving over.
You better know that in the end
It's better to say too much, than never to say what you need to say again.

Even if your hands are shaking,
And your faith is broken.
Even as the eyes are closin',
Do it with a heart wide open.

(Wide Heart)

Say what you need to say (x7)
Say what you need to, Say what you need to...
Say what you need to say.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O poder da compra


O que você compra faz o mundo que você vive - e vale mais que seu voto.
Estamos em um ano eleitoral, e claro, começam as campanhas "seu voto é importante para mudar o país". Mas, dentre os papéis que desempenhamos em sociedade (pai, mãe, professor, cidadão, telespectador), o mais importante é o de consumidor. Não quero dizer que o direito ao voto, pelo qual muitos lutaram e até morreram, seja secundário. Porém, com a estrutura social que vivemos hoje, a política é uma área desacreditada, principalmente porque as mudanças são lentas, dependentes de grandes modificações na mentalidade de toda uma geração de cidadãos. No entanto, o capitalismo exige um ciclo dinâmico de consumo. Para mantê-lo, os meios produtivos têm de ser flexíveis às alterações nos hábitos e desejos do consumidor, inclusive, para antecipá-los e inventá-los. Logo, o mercado está mais disponível para ouví-lo do que a política. E ainda (infelizmente), não existe procom para deputado com defeito ou com propaganda enganosa. Por isso devemos prestar atenção no que consumimos, porque isso direciona para onde vai o dinheiro, e com ele o fluxo do mercado. Poucas empresas estão preocupas com ideologia, e muitas com o lucro. Mas todas se preocupam com a satisfação do cliente. Então, se você desiste de comprar um diamante porque não sabe sua origem (o mesmo vale para madeira, granito, etc), a empresa perde compradores, até um ponto que acabe compensando só fornecer produtos com certificado de origem. Se você se rende aos baixos preços da pirataria, está derramando dinheiro nas mãos de sonegadores de impostos, proporcionando a lavagem de dinheiro do tráfico e da corrupção. Se você compra um brinquedo inseguro só porque está na moda, proporciona a proliferação de acidentes com crianças. E assim vai. Mesmo que a população esteja se tornando mais esclarecida quanto à manipulação através da propaganda, ainda usamos pouco nossa capacidade de escolher o mundo que queremos pelos produtos e serviços que adquirimos. Proteger o meio ambiente, a ética e a dignidade é resultado direto de quão consciente é a sua compra. Esteja atento e leve em conta o bem social, em vantagem às moedinhas que sobram no bolso (sendo que nem sempre é preciso pagar mais caro por algo idôneo).

terça-feira, 18 de março de 2008

Seja voluntário!



Depois do silêncio, creio que o bem mais precioso que possuímos é o tempo. Todos temos milhares de compromissos, tarefas pendentes, festinhas, trabalhos, leituras, coisas "ad infinitum" para fazer. Fugimos da atividade física, porque "não tenho tempo"; da visita aos amigos porque "não tenho tempo"; e assim vai... Mas a grande maioria das pessoas que pertencem à classe que tem acesso a Web, receberam muito da sociedade, em forma de educação, prestígio, ou dinheiro. Por que não verter um pouco de volta a fonte, naqueles pedaços do terreno onde o deserto da ignorância só se alastra? Dinheiro não é suficiente para tornar a vida de uma pessoa melhor. Se ela não souber como empregá-lo adequadamente, as melhoras podem se tornar problemas. Conheço gente que trabalhou muito, melhorou de casa, carro, roupas, porém, não sabe cuidar da própria higiene. A educação está presente em todas as coisas que realmente fazem falta e é a solução para quase todos os males da Humanidade.
Ser voluntário é se doar, acima de tudo. No trabalho, dá pra reclamar do chefe, falar que puxaram seu tapete e tudo o mais. Quando se é voluntário, tudo está por fazer. E qualquer esforço sincero é bem-vindo. Então, para quem sempre quis e arruma um milhão de desculpas, vão aí algumas dicas:
O primeiro passo é escolher o que fazer. Existem milhares de coisas: ONGs com diversos perfis, ler para idosos em asilos, oferecer momentos de conversa e descontração para doentes em hospitais, reforço escolar, educação, coletar lixo reciclável, recolher livros ou alimentos para doação, estimular a doação de sangue e órgãos, entre muitos outros. Escolha algo que se ligue a fundo ao que você gosta. Por exemplo: se gosta de música, pode levar uma aula de artes com discussão de músicas, uma vez por semana que seja, a uma escola pública. Ou se você sempre quis aprender a desenhar, é um bom estímulo para aprender: você começa um curso, e depois passa o que aprendeu, mais devagar para outras pessoas. Se você não tem muita paciência ou estômago forte, não recomendo trabalhos em hospitais, pois costuma-se presenciar situações dolorosas emocionalmente e nada agradáveis aos sentidos. Claro que com algum esforço, tudo é possível. Se você não gosta do seu trabalho, faça algo completamente diferente dele; se gosta, faça algo que se aproxime, mas com outro foco. Exemplificando: se você trabalha com Marketing, você pode ajudar a divulgar o trabalho de uma ONG ou instituição fraterna, ajudando-a a arrecadar fundos. Se é marceneiro, mas gosta de cozinhar, ajude a fazer o sopão de alguma igreja, ou ensine jovens a cozinhar. Se é estudante, dê reforço escolar em uma vizinhança simples ou faça oficinas de leitura e ditado.
Procure os lugares que você gostaria de trabalhar, converse bastante (sempre haverá gente disposta a falar do trabalho), veja como é o esquema de trabalho, as regras, e medite qual opção se encaixa mais no seu perfil.
Escolhido o que e onde, medite bem antes de adquirir essa responsabilidade. Só porque você não é pago para realizá-lo, não quer dizer que você não tenha que levar o trabalho a sério. Quando se cria um compromisso com outras pessoas, gera-se expectativas, que machucam muito quando quebradas. Claro que todo mundo é capaz de entender um imprevisto ou uma fatalidade. Mas ter uma desculpa de uma para cada três vezes que você tem um trabalho é pura enganação. Sua. Porque se percebem que não podem contar com você, as pessoas não contam. Você é que vai ficar se enganando, se sentindo super útil ou se culpando por não cumprir o que prometeu. Leve a sério. Vale a pena.
Trabalho voluntário é uma terapia muito barata. Todos que conheço que fazem algum trabalho voluntário, mesmo que fortuito, trazem a auto-confiança e a satisfação de quem se sente realmente útil, de quem não veio ao mundo à passeio. Quando você doa seu tempo, atenção epaciência para outro ser humano, constrói -se um laço de amizade e confiança. Uma ponte sentimental que não te deixa se sentir sozinho. Mesmo que em breves momentos, proporcionar um alívio material, no sofrimento físico ou um sorriso a alguém tem um valor que nenhum metal brilhante é capaz de superar. Quem já experimentou, sabe do que estou falando.
O trabalho dignifica, em qualquer situação. E mudar o mundo é, para mim, uma questão de trabalho. Quase como se cada um de nós varresse a própria calçada, e quem sabe, um pedacinho da rua. Já mudaríamos a cara de todo o planeta.
Se nem com todos esses argumentos, você se convenceu das benesses do trabalho voluntário, não desanime. Se o tempo lhe falta, com certeza sobra alguma coisa na sua casa que pode ser doada a alguém (roupas, sapatos, cobertores, brinquedos), e que também pode fazer a diferença. Na pior das hipóteses, faça alguma coisa pelo menos uma vez por ano: ligue pro Criança Esperança!

domingo, 9 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher


No tal Dia Internacional da Mulher, li diversas reclamações sobre a inutilidade de se ter um dia para homenagear as mulheres. Que deveriam ser criados o "Dia Internacional do Homem" e blá, blá, blá.
O que as pessoas esqueceram é que esses dias de homenagem às minorias servem para lembrar que uma sociedade justa é aquela que guarda pelo direito de todos os cidadãos, sem diferenciá-los. Exultar a diferença para promover a igualdade? É, é isso mesmo. Por mais que as pessoas das classes mais intelectualizadas acreditem que já é desnecessário lembrar a opressão feminina ocorrida no passado, o país tem uma cultura muito heterogênea. Temos ainda grandes faixas de nosso território intelectual ocupados pelo machismo. Em alguns meios, ele é sutil, embutido nas piadas sobre a incapacidade feminina em fazer balizas. Em outros, vemos mulheres chefes de família ganhando 60% ou 70% do salário de um homem, para exercer a mesma função; a coação sexual de chefes sobre suas subalternas. É primitivo, mas existe com muita força.
Nas Ciências Exatas, por exemplo, o mito da "inaptidão natural" das mulheres para os números permanece incólume, cochichado nos corredores. Mesmo que na graduação ou pós-graduação as mulheres sejam tratadas com igualdade, no ensino fundamental e médio, as meninas não são estimuladas a se apaixonarem pela Ciência, pela Matemática. Afinal, se existe a amarra cultural, nenhum lugar é melhor que a escola para soltá-la. Por isso deveriam existir mais professores como Randy Pausch, cuja emocionante história de (fim de) vida chamou atenção para o seu contínuo trabalho em estimular meninas a aprender programação.

Então, homenagear as mulheres realmente vai além dos cartõezinhos-clichê e das rosas murchas. Está em tratar igual, dar oportunidades iguais, sem fazer alarde disso.