quarta-feira, 26 de março de 2008

O poder da compra


O que você compra faz o mundo que você vive - e vale mais que seu voto.
Estamos em um ano eleitoral, e claro, começam as campanhas "seu voto é importante para mudar o país". Mas, dentre os papéis que desempenhamos em sociedade (pai, mãe, professor, cidadão, telespectador), o mais importante é o de consumidor. Não quero dizer que o direito ao voto, pelo qual muitos lutaram e até morreram, seja secundário. Porém, com a estrutura social que vivemos hoje, a política é uma área desacreditada, principalmente porque as mudanças são lentas, dependentes de grandes modificações na mentalidade de toda uma geração de cidadãos. No entanto, o capitalismo exige um ciclo dinâmico de consumo. Para mantê-lo, os meios produtivos têm de ser flexíveis às alterações nos hábitos e desejos do consumidor, inclusive, para antecipá-los e inventá-los. Logo, o mercado está mais disponível para ouví-lo do que a política. E ainda (infelizmente), não existe procom para deputado com defeito ou com propaganda enganosa. Por isso devemos prestar atenção no que consumimos, porque isso direciona para onde vai o dinheiro, e com ele o fluxo do mercado. Poucas empresas estão preocupas com ideologia, e muitas com o lucro. Mas todas se preocupam com a satisfação do cliente. Então, se você desiste de comprar um diamante porque não sabe sua origem (o mesmo vale para madeira, granito, etc), a empresa perde compradores, até um ponto que acabe compensando só fornecer produtos com certificado de origem. Se você se rende aos baixos preços da pirataria, está derramando dinheiro nas mãos de sonegadores de impostos, proporcionando a lavagem de dinheiro do tráfico e da corrupção. Se você compra um brinquedo inseguro só porque está na moda, proporciona a proliferação de acidentes com crianças. E assim vai. Mesmo que a população esteja se tornando mais esclarecida quanto à manipulação através da propaganda, ainda usamos pouco nossa capacidade de escolher o mundo que queremos pelos produtos e serviços que adquirimos. Proteger o meio ambiente, a ética e a dignidade é resultado direto de quão consciente é a sua compra. Esteja atento e leve em conta o bem social, em vantagem às moedinhas que sobram no bolso (sendo que nem sempre é preciso pagar mais caro por algo idôneo).

Um comentário:

Anônimo disse...

Ótimo post. Esse é o ponto. As pequenas "coisas" são geralmente as mais significativas. Muito mais importantes que grandes feitos, são os pequenos atos constantes. E parece que os pequenos bons atos são cada vez mais ignorados pelo nosso povo, e as pessoas ficam esperando grandes atos heróicos que façam a diferença e resolvam as coisas.