Desde que me mudei da casa da minha mãe, percebi como algumas pequenas coisas fazem falta. Uma comida com carinho, lençóis cheirosos trocados sem nenhum motivo, um colinho estratégico. Sou muito cinestésica, logo, o contato físico com outras pessoas é algo muito importante no meu dia-a-dia. Nunca imaginei que pudesse ficar um dia sem um abraço (o que nunca acontece com estou na casa da minha mãe), mas descobri que isso pode ser muito comum. Ontem tive um dia normal, encontrei com várias pessoas conhecidas, mas ninguém próximo o suficiente para abraçar. Graças à Deus isso não acontece todos os dias. Porém, isso me fez pensar em quantas pessoas passam pelo mesmo, com uma perspectiva diferente da minha. Por mais que me ressinta por passar um dia sem um abraço, olhei à minha volta e vi quantas pessoas têm uma vida em que o contato próximo com alguém é exceção, não regra, mesmo que esparsa. É muito triste ver as pessoas, principalmente nas grandes cidades, perderem o sentido de humanidade, de compaixão e caridade. Nas pequenas cidades, mesmo que não haja contato físico, as pessoas criam um cinturão de convivência, já que todos à sua volta a conhecem há muitos anos, e vice-versa. Assim, a segurança emocional, tão necessária ao ser humano, fica preservada. Aqui, nos envergonhamos de nos apresentar aos vizinhos, não queremos recorrer a eles, para não incomodá-los. Viúvos, solteiros, idosos, obrigatoriamente passando de sozinhos à solitários, isolados. E assim, vamos virando ilhas, contrariando toda a essência humana, de sociedade e interação.
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